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Acidente com terceirizado: o que perguntam nas primeiras 48 horas

Nas primeiras 48 horas ninguém vai pedir política ou procedimento. Vão pedir os documentos de uma pessoa, numa data.

Revisado em · como escrevemos

Acidente grave com terceirizado dispara várias apurações ao mesmo tempo, e todas começam pela mesma pergunta: essa pessoa estava apta a executar essa atividade naquele dia? A resposta precisa existir antes do acidente. Depois, só se apresenta o que já estava registrado.

O que é pedido, na ordem

  1. Identificação do vínculo: de qual empresa a pessoa é, em qual contrato estava mobilizada, exercendo qual função.
  2. ASO vigente, com aptidão para aquela função e para os riscos dela.
  3. Certificados dos treinamentos exigidos pela atividade, dentro da validade.
  4. Ficha de entrega de EPI, com itens, CA e assinatura.
  5. Ordem de serviço de segurança da função, com ciência.
  6. Análise de risco e permissão de trabalho, quando a atividade exigia.
  7. PGR da contratada e evidência de que a contratante fiscalizava o contrato.

Repare que nada nessa lista é sobre a empresa em geral. É tudo sobre uma pessoa, numa data. Controle agregado, percentual de conformidade, painel de indicadores, não responde nenhuma dessas perguntas.

Quem pergunta

  • Auditoria fiscal do trabalho, que pode lavrar auto e, havendo risco grave e iminente, embargar ou interditar.
  • INSS, que concede o benefício e pode ajuizar ação regressiva quando há indício de negligência.
  • Ministério Público do Trabalho, que atua na esfera coletiva e pode propor termo de ajustamento de conduta.
  • Ministério Público estadual, na esfera criminal, quando há lesão grave ou morte.
  • A seguradora e o cliente da cadeia, que auditam por conta própria.

O que fazer após acidente de trabalho, nas primeiras horas

  1. Atender a vítima primeiro, sempre. Depois, preservar o local.
  2. Garantir que a CAT seja emitida pela empregadora no prazo. A contratante deve acompanhar, não emitir no lugar dela.
  3. Congelar o registro documental daquela pessoa e daquele contrato, sem editar nada.
  4. Abrir investigação de acidente de trabalho formal, com metodologia e conclusão registradas.
  5. Envolver o jurídico antes de prestar qualquer declaração.

Por que o histórico congelado importa tanto

Um sistema que mostra apenas o estado atual responde "hoje está tudo certo", o que é irrelevante e soa mal. O que a investigação quer é o estado em que as coisas estavam na data do acidente, com a trilha de quem aprovou o quê e quando.

É a diferença entre poder demonstrar que a norma era cumprida antes e ter que argumentar que provavelmente era.

Perguntas frequentes

Quem emite a CAT de terceirizado?
A empregadora, que é a empresa contratada. A contratante não emite no lugar dela, mas tem todo o interesse em acompanhar o cumprimento do prazo, omissão da contratada nesse ponto costuma respingar em quem contratou.
A contratante participa da investigação do acidente?
Deve participar quando o acidente ocorre na operação dela, e em muitos casos isso está no contrato. Investigação conduzida só pela contratada, sem participação de quem controla o ambiente, tende a concluir pouco e convence menos.
Documentação em dia evita responsabilização?
Não garante nada, mas muda a natureza da discussão. Com evidência datada, discute-se se a medida foi suficiente. Sem evidência, discute-se se havia medida, e essa segunda conversa costuma terminar muito pior.

Se a planilha já está apertada

O Conformo faz essa cobrança sozinho, guarda o histórico datado e mostra num lugar só quem está regular. Uma conversa curta mostra se serve para o seu caso.

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